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A fé e doentes crônicos

A força da fé contra as doenças crônicas

“A religião é o fator isolado mais importante para uma melhor qualidade de vida de crianças e adolescentes com doenças renais crônicas”, afirma dissertação de mestrado da Faculdade de Medicina da UFMG.

Segundo a psiquiatra Renata Cristiana Marciano, autora da pesquisa, as crianças portadoras desse tipo de doença têm grandes chances de desenvolver problemas psicológicos porque são submetidas a tratamentos difíceis, como a diálise e o transplante.

Durante o estudo, realizado entre março e dezembro de 2008, 136 pacientes com doenças renais crônicas do Hospital das Clínicas da UFMG, com idade entre 4 e 19 anos, foram entrevistados junto com seus pais ou responsáveis

No grupo pesquisado, 52,7% do total apresentaram transtornos mentais, 60,2% ansiedade e depressão, 40,7% hiperatividade e 54% transtornos de conduta. Mais de 40% das crianças entrevistadas afirmaram ainda ter algum problema de relacionamento.

Porém, a pesquisadora destaca que, clinicamente, eles têm habilidades pró-sociais semelhantes à da população geral.

A família

A condição peculiar dessas crianças interfere diretamente também na qualidade de vida de seus cuidadores – pais, parentes e familiares. Entre eles, dois em cada dez apresentaram índices de depressão.

As doenças crônicas podem ser encaradas como obstáculos na vida dos cuidadores. Alguns, mesmo sem querer, acabam subestimando ou rejeitando as capacidades dos jovens portadores.

“Essas crianças e adolescentes estão mais propensas a ter problemas psicossociais na idade adulta. As possibilidades futuras de desemprego, dependência e reduzido número de relações interpessoais nesse grupo são maiores que a média comum”, alerta a psiquiatra.

Além da religião, a cor, a idade e o sexo são os aspectos que mais influenciam na qualidade de vida desses pacientes. As entrevistadas sem religião, brancas e maiores de 10 anos de idade exibiram pior qualidade de vida.

O período da adolescência, por exemplo, é naturalmente complicado, com mudanças naturais no funcionamento do corpo e que podem gerar grandes variações de comportamento e diminuir a adesão dos pacientes ao tratamento.

Como funcionam os rins e as doenças renais

No Brasil, aproximadamente 100 mil pessoas morrem devido a alguma doença renal crônica.

Esse tipo de enfermidade impede que os rins funcionem normalmente e é um grave problema de saúde pública.

Os grandes desafios no combate a elas são os elevados custos do tratamento, a incapacitação funcional marcante dos portadores, além da alta morbidade e mortalidade.

Os rins são órgãos do corpo humano que tem como principal função “filtrar o sangue” e eliminar substâncias tóxicas. Eles também são responsáveis por manter o equilíbrio de líquidos e sais minerais do corpo, controlar a pressão arterial e produzir alguns hormônios.

Por isso, disfunções renais causam problemas como pressão alta, doenças no coração, anemia, inchaço e alterações ósseas ou nervosas.

A doença renal pode ser adquirida de diversas formas: as mais recorrentes são a forma congênita (ao nascer), por glomeropatias (infecções criadas pelo organismo) ou em decorrência de fatores relacionados à saúde como diabetes, pressão alta e doenças do coração.

Os sintomas mais importantes envolvem alteração do volume, cor ou cheiro da urina e dor ou ardência ao urinar. A presença de proteína na urina e creatinina no sangue indicam diminuição nas funções renais. Essas patologias são praticamente assintomáticas nos estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico.

Os pacientes em condição de risco, como os diabéticos e idosos devem seguir uma dieta controlada, evitar excessos de sal, potássio e proteína animal. Também é preciso manter a pressão arterial sob controle.

ArtigoTranstornos mentais e qualidade de vida em crianças e adolescentes com doença renal crônica e seus cuidadores (Autora: Renata Cristiane Marciano  - Programa: Pós-graduação em Ciências da Saúde - Área de Concentração: Saúde da Criança e do Adolescente – Nível Mestrado - Setembro de 2009.)

Por: Assessoria de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG

 

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